Um em cada quatro trabalhadores em Goiás trabalha por conta própria, segundo dados recentes do IBGE. São mais de 800 mil goianos que se tornaram seus próprios patrões, nos chamados micronegócios, atuando no chamado baixo circuito da economia. A maior parte desse contingente tem passado recente bem conhecido: trabalhadores formais, que exerciam sua atividade de carteira assinada, agora estão à frente de negócios que, se não farão deles fenômenos do empreendedorismo, pelo menos lhes conferem a dignidade humana tão consagrada pela constituição brasileira.

Recentes e inéditos, os dados que revelam a nova face do trabalhador no Brasil chamaram a atenção de boa parte da opinião pública goiana, que se mostrou preocupada com o crescente nível de desemprego formal cujo sintoma é, justamente, esse enorme exército de novos autônomos.

Os chineses, que constituem a mais antiga civilização viva do planeta e enxergam as crises mais como momentos de aproveitamento de oportunidades do que como ocasião para lamentar o que passou, teriam valiosas lições para nos passar neste momento.

Esse enorme contingente de novos autônomos deve ser visto, não como o sintoma de uma doença no sistema econômico. Alguns dos mais renomados economistas do mundo já afirmam que o trabalho assalariado, tal como idealizado e posto em prática na era Ford, já é coisa do passado.

Esses mais de 800 mil goianos que se encontram trabalhando para si mesmos formam uma geração inteira de empreendedores, que devem ser incentivados e ter suas atividades devidamente reconhecidas e tuteladas. Está na hora de o Brasil e os goianos começarem a ver seu recurso humano como o mais valioso e imaginativo meio de produção. Que esses novos atores econômicos possam ser vistos como os empreendedores que são, pouco importando, desde lícitas e honradas, as origens de suas atividades.

Leopoldo Veiga Jardim