Entretanto, se um ativismo positivo e inovador é necessário, este deve partir da sociedade. Desde a operação Lavajato e das manifestações de rua iniciadas em 2013, um período de revisionismo quanto às instituições políticas teve início. A classe política está na berlinda, e em seu lugar se estabeleceu um processo de queda de braço entre os poderes da República que tem como resultado as constantes, quase semanais minicrises enfrentadas pelo novo morador do Palácio da Alvorada.

Com 100 dias de governo recém-completados, o presidente Jair Bolsonaro já é alvo de críticas as quais começam a taxar seu governo de lento e pouco propício à ação paradigmática cuja necessidade o próprio presidente tanto defendia enquanto candidato. Se nos primeiros dias de governo, Bolsonaro está devendo ou não, é debate contaminado pelo ainda persistente clima de polarização ideológica vivido no país.

Se muitos estão desiludidos, pois estão acordando pelo fato de que o presidente não é nenhum super-herói, essa desilusão deve dar lugar a um despertar: onde haveria a lamentável necessidade de um salvador da pátria, deve existir um ser humano hábil e dotado de espírito público para, com habilidade e senso de dever, empreender as reformas tão necessárias para que o Brasil volte a funcionar em níveis de mínima normalidade. Para isso, é necessário que essa opinião pública majestosamente desperta com as manifestações de 2013 exerça seu papel: a de árbitra final dessas disputas pequenas, mesquinhas e, por vezes, ridículas que atualmente caracterizam a agenda corriqueira dos poderes constituídos.

Leopoldo Veiga Jardim